Arqueólogos Revelam Relevo Funerário Excepcional na Antiga Pompeia
Arqueólogos fizeram uma descoberta significativa na antiga cidade de Pompeia: um relevo funerário em alto-relevo, quase em tamanho natural, representando um homem e uma mulher. A descoberta ocorreu durante escavações na necrópole de Porta Sarno, uma das antigas portas da cidade devastada pela erupção do Vesúvio em 79 d.C.
Este achado é parte de um projeto de pesquisa focado na arqueologia da morte em Pompeia, uma colaboração entre a Universidade de Valência e o Parque Arqueológico de Pompeia, liderado pelo Professor Llorenç Alapont. A área, que já havia sido parcialmente explorada nos anos 90, revelou agora uma tumba monumental com um grande muro contendo vários nichos, provavelmente para urnas funerárias, e o impressionante relevo no topo.
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Os especialistas acreditam que as figuras representam um casal que teve uma forte presença social na Pompeia da época, embora o diretor do parque, Gabriel Zuchtriegel, mencione que, sem inscrições, não se pode descartar a possibilidade de serem mãe e filho. As esculturas datam provavelmente do período Tardio da República Romana (entre o século II e I a.C.), uma época em que as elites locais afirmavam sua identidade através de monumentos funerários imponentes. Tumbas deste tipo são consideradas raras no sul da Itália.
O homem veste uma toga simples, enquanto a figura feminina usa um manto sobre uma túnica e ostenta diversas joias esculpidas, incluindo brincos em forma de ânfora, anel de casamento, pulseiras e um colar com um pingente de lunula (lua crescente) – um amuleto usado por meninas romanas até o casamento para proteção.
Particularmente intrigante é a simbologia associada à mulher. Ela segura folhas de louro na mão direita, usadas por sacerdotes e sacerdotisas para purificação, e um objeto cilíndrico na mão esquerda, possivelmente um pergaminho. Esses elementos, juntamente com o pingente de lunula (associado à deusa Ceres, ligada à lua, fertilidade e colheitas), levam os pesquisadores a levantar a hipótese de que ela poderia ser uma sacerdotisa de Ceres. Ser sacerdotisa era um dos mais altos status sociais que uma mulher poderia alcançar na sociedade romana, permitindo-lhe supervisionar rituais e participar de procissões.
A descoberta é considerada excepcional não apenas pela idade e qualidade artística do relevo, mas principalmente pela possibilidade de representar uma sacerdotisa, oferecendo novas perspectivas sobre as práticas religiosas e o papel das mulheres na Pompeia antiga, reforçando a importância do culto a Ceres na religião oficial da cidade.
As esculturas foram transferidas para a Palaestra Grande dentro do sítio arqueológico para um meticuloso processo de restauração. Elas serão um dos destaques da exposição “Ser Mulher na Pompeia Antiga”, com inauguração prevista para 16 de abril de 2025. Uma característica interessante da exposição será a possibilidade de os visitantes observarem de perto o trabalho de restauração em andamento.
Este projeto multidisciplinar, envolvendo arqueólogos, arquitetos, restauradores e antropólogos, continua a expandir o conhecimento sobre a vida fora dos muros da cidade e a identidade social de seus habitantes. Análises e conclusões iniciais foram publicadas no E-Journal das Escavações de Pompeia.